Assim como a Globo, emissoras estrangeiras atualizam redações de jornalismo aos novos tempos; veja

fox news newsroom

Foto: Divulgação/Fox News

As novas plataformas digitais continuam seu processo de transformação da indústria televisiva. As redações de notícias, por exemplo, historicamente passam por mudanças estruturais, que se acentuaram de um período para cá. O objetivo é adequar a produção jornalística às necessidades dos tempos.

Atualmente, os consumidores de conteúdo noticioso já embarcaram em uma nova realidade de hábitos, inclusive por incentivo do recurso de acompanhar o noticiário como, quando, onde e por quanto tempo quiserem. O objetivo do telejornal é não ficar para trás e entregar o que o público – já não tão fiel – precisa. 

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Neste contexto, as grandes redes de televisão dos Estados Unidos e a BBC, do Reino Unido, sempre tiveram um papel delineador para a indústria no Brasil e em todo o mundo. A pioneira CNN, por exemplo, com o seu conceito de levar o estúdio para a redação, se tornou referência a partir dos anos 80. O telejornal que era gerado de dentro de um estúdio passou a ter seus âncoras ao lado de redatores, editores e outros profissionais. As redes abertas ABC, CBS e NBC também colocaram o seu pessoal de produção na tela. Assista: 

 

 

 

 

 

 

No Brasil, a própria Globo quebrou a regra da televisão nacional de ter telejornais apenas em estúdios fechados na, então nova, redação de São Paulo, em 1999. No ano seguinte, estreou um novo ‘Jornal Nacional’, no Rio de Janeiro. A mudança, apontada como uma grande revolução, foi apenas uma adequação ao que acontecia em mercados televisivos mais avançados. Porém, serviu para incentivar a Record TV, Band, SBT e Rede TV a implantarem suas próprias redações-estúdio. Esse se tornou, então, um modelo padrão do noticiário central de, pelo menos, cada rede nacional do Brasil. 

Na noite desta segunda-feira (19), o ‘Jornal Nacional’ revelou sua quinta transformação em 17 anos. O principal telejornal do país se preparou para um alinhamento necessário com a atual realidade, que exige conteúdo multiplataforma, com uma agilidade inédita na história do setor. As mudanças no jornalismo da Globo servirão nos próximos tempos de norte para as demais emissoras do país. No entanto, é importante frisar que as novidades na rede carioca fazem parte de um movimento que não é somente nacional. 

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A BBC, a empresa de comunicação com o jornalismo mais respeitado do mundo, se transformou para o mercado quatro anos antes da Globo. Os britânicos prepararam uma nova sede para seu gigantesco departamento de notícias, que acomoda diversas redações, em 27 idiomas, em todas as plataformas de comunicação. O newsroom é o maior da Europa e tem capacidade de gerar conteúdo para canais de notícias, emissoras de rádio, websites e, ainda, telejornais para os canais generalistas da BBC.  

Os executivos da companhia definiram a mudança para uma nova sede como uma revolução, de fato. O objetivo central foi integrar mais de seis mil profissionais, que compõem as equipes de todas as plataformas, agilizar o processo de produção da notícia e baratear a realização de conteúdo noticioso. O custo do projeto é estimado 1 bilhão de libras, algo absolutamente sem precedentes em termos de investimento em estrutura de trabalho para geração de notícias.  Confira um passeio pelo Broadcasting House: 

 

 

 

 

 

Para comparar com a nossa realidade, imagine que o Grupo Globo decida reunir em uma só instalação seus profissionais da TV Globo, Globo News, G1, Gshow, Globoesporte.com, Rádio Globo, CBN e pessoal de todos os outros veículos da empresa. Não é essa a proposta da nova redação carioca, que, apesar de tecnológica e, claro, atender às necessidades da empresa, ainda não possui, aparentemente, o volume de integração da BBC. 

Se fica difícil competir em nível com o mercado britânico que possui tradição, dinheiro e ousadia, tragamos para algo mais próximo da nossa realidade no Brasil. A Argentina, que possui um mercado televisivo menor que o brasileiro, tem hoje o que eles chamam de maior e mais moderna redação de conteúdo da América Latina. Há algumas semanas, a Artear iniciou um processo de sinergia de todas as suas equipes, de cada veículo digital do grupo. Agora, os profissionais que integram o canal de notícias Todo Notícias, por exemplo, estão todos em um só lugar. Veja:

 

 

O novo centro de TV argentino possui 2.600 metros quadrados. Para efeito de comparação, a moderna redação de 2007 da Record News tinha 1.000 metros quadrados. O Trece diz, ainda, que há 300 postos de trabalho, 11 escritórios, 20 ilhas de edição nas instalações. Esses são números inéditos e surpreendentes para um mercado como o argentino. No país vizinho, a opção televisiva para acompanhar notícias é maior, incluindo a televisão paga. Tudo isso para uma população de cerca de 40 milhões de habitantes. 

A nova redação da Globo, no Rio de Janeiro, mede 1.370 metros quadrados, com 189 postos de trabalho e 19 ilhas de edição. Há um único estúdio, o do Jornal Nacional. A emissora não falou da possibilidade de usar o espaço para outros telejornais ou entrar ao vivo de outras partes da redação. Confira mais detalhes aqui

Um outro exemplo de tecnologia aplicada aos noticiários na América Latina é a remodelação da redação da Televisa. Menos de um ano atrás, o grupo mexicano trocou seus apresentadores, estreou novos telejornais e modernizou toda a sua estrutura de produção. O principal noticiário, “10 en punto”, exibido em Las Estrellas, possui câmeras robotizadas no cenário, algo inédito no continente e corriqueiro na BBC. Atualmente, a empresa considera que tem um dos melhores bunkers, como eles dizem por lá, de toda a América Latina. Assista: 

 

 

 

 

Ainda na Europa, a França, um dos maiores mercados de notícias do continente, lançou um novo canal de televisão que já nasceu da perspectiva multiplataforma, com uma redação multifuncional. O France Info apresenta notícias 24/7 e tem conceitos modernos, talvez inéditos na televisão francesa e mundial. O recurso visual é muito valorizado, com grafismos complementares, enquanto que a informalidade é uma premissa básica. Os âncoras andam pela redação e apresentam a notícia de qualquer ponto. O espaço ainda permite ter convidados em ambientes variados. Confira: 

 

 

 

De volta aos Estados Unidos, o canal Univision lançou em 2013 sua redação multiplataforma, apontada pela empresa como a maior e mais moderna do país. O Newsport, como é chamado, foi construído em Miami para atender à população hispânica. 

 

Pelo mesmo caminho, vai o canal de noticias líder da televisão americana. Assistida diariamente por milhões de pessoas, a Fox News revelou recentemente um projeto ambicioso para integrar todas suas equipes em um único ambiente, numa redação moderna. A construção começa em julho e a inauguração está prevista para ocorrer no começo de 2018. Como todas as outras redes, a Fox News quer mais agilidade e entrar de vez na era digital , manipulando mais adequadamente seus conteúdos. 

 

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