Entenda como conteúdo original e cobertura qualificada transformaram Al Jazeera English em uma potência global

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Foto: Reprodução/Internet

Quando Al Jazeera English surgiu para o Ocidente como uma real produtora e veiculadora dos principais fatos do Oriente Médio, o mundo olhou desconfiado. De fato, era estranho um canal com raízes profundas na região se tornar um importante provedor de notícias globais.

O canal se diz o primeiro independente do Oriente Médio e tem mostrado isso durante coberturas importantes como a da Primavera Árabe, em 2011. Porém, essa escolha por independência também incomoda politicamente. Em dezembro de 2016, por exemplo, o jornalista de Al Jazeera Mahmoud Hussein foi detido por autoridades do Egito, onde ele passava férias. Mahmoud, um egípcio que mora no Qatar, é acusado de “incentivar oposição às instituições estatais e transmitir notícias falsas com o objetivo de espalhar o caos”, explica a emissora. 

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Com um discurso pautado na liberdade de expressão e editorial, hoje, ao lado da BBC World News e da CNN International, o canal é considerado uma fonte segura de informação e atinge centena de milhões de lares em todo o planeta. “Al Jazeera Media Network possui mais de 3 mil altamente experientes colaboradores de 70 nacionalidades, o que faz da nossa redação a mais diversa do mundo”, afirma em institucional. 

Al Jazeera English faz parte de Al Jazeera Media Network, um grupo que, como o nome diz, possui uma rede de canais de televisão no Oriente Médio. Baseado em Doha, no Qatar, o canal só surgiu em 2006, uma década depois do início de operação do canal em árabe. Confira a primeira transmissão em inglês da rede: 

Aliás, foi o canal voltado para o público do Oriente Médio que deu os primeiros momentos de visibilidade da marca. Durante a guerra americana contra os terroristas do Afeganistão, Al Jazeera foi uma importante fornecedora de conteúdo. Muitas imagens que chegaram ao Ocidente tinham como remetente a redação do canal, em Doha. Esse acesso à conteúdo inédito e exclusivo colocou a independência e a credibilidade em discussão, mais precisamente nos Estados Unidos.

A partir disso, inclusive por questões políticas, se verificou a necessidade de lançar uma emissora em inglês. Um veículo que pudesse contar as histórias do mundo árabe (e de outras partes do mundo também) para os Estados Unidos e a Europa sem intermediários. A avaliação era, e sempre foi, de que os fatos veiculados na CNN, por exemplo, precisavam ser mostrados para o mesmo público, mas sob outra perspectiva. 

“A rede foi a primeira a desafiar as narrativas do sistema e dar a uma audiência mundial uma voz alternativa, que coloca as pessoas de volta no centro da pauta e isso fez do canal uma das mais influentes redes de notícias do mundo”, segundo o próprio site de Al Jazeera.

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A estratégia foi e continua sendo bem-sucedida já que o canal em língua inglesa passou a atingir 310 milhões de lares em aproximadamente 100 países. Os conteúdos exibidos são variados e tocam nos principais assuntos, inclusive, nos mais sensíveis. A gama de correspondentes é ampla e há entradas ao vivo, frequentemente, da Europa e dos Estados Unidos. Veja um pouco da preparação para a estreia da rede: 

O que há de melhor em Al Jazeera, seguramente, são os documentários inéditos. Além de qualidade técnica, abordam assuntos pouco discutidos na mídia mais tradicional. É possível ver um programa sobre a reinserção social de ex-membros de gangues de Los Angeles ou sobre a impunidade crônica que impera no México, por exemplo. 

“Das ruas lotadas das cidades às vilas remotas, nossa equipe internacional de correspondentes trabalha implacavelmente para encontrar e cobrir as histórias que importam. Das pessoas que tomam decisão às afetadas. Nós somos a voz do povo, é uma responsabilidade que nós assumimos seriamente”, diz o canal. 

Há Brasil em Al Jazeera também. A empresa mantém um correspondente em São Paulo, que é responsável por reportagens especiais e pelo noticiário factual sobre todo o país. Alguns programas já chegaram a discutir o racismo, a tragédia ambiental de Mariana e, até mesmo, o caos político instaurado em Brasília. 

Mesmo editorialmente sob a perspectiva árabe, o grupo tentou emplacar um canal de notícias exclusivamente para os Estados Unidos. Apostando forte em noticiário e conteúdo original, Al Jazeera America enfrentou dificuldades na distribuição no sistema de televisão paga e, ainda, na audiência. O objetivo era ser uma opção diferenciada à Fox News, CNN e MSNBC, e para isso montou um grande equipe em Nova York, com bureaux em várias outras cidades americanas.

Al Jazeera America encerrou as operações em abril de 2016, pouco menos de três anos após o seu lançamento. Na época, o presidente da empresa, Al Anstey, explicou que, apesar do fim do canal, havia um legado. “Estamos saindo, mas, contraintuitivamente, acredito que obtivemos sucesso. As pessoas acreditam apaixonadamente no que fizemos. (…) Baseado em fatos, aprofundamento da notícia, que dá voz para os sem voz”. Veja o institucional final da rede: 

Enquanto Al Jazeera está incluída em pacotes da TV por assinatura do Chile, por exemplo, ela ainda não encontrou espaço no mercado brasileiro, acostumado à CNN International e pouco familiarizado com a rede de Doha.

Segundo o site da Isto É, Al Jazeera quer vir para o Brasil: “Precisamos e queremos estar no Brasil e já começamos a trabalhar nesse sentido [de ter um canal em português]”. Seria uma “Al Jazeera Brasil”? Ninguém nunca mais falou no assunto. Por aqui, por enquanto, é possível sintonizar o canal árabe em inglês apenas se tiver uma antena apontada para um satélite específico. 

Diferentemente, da BBC World News e da própria CNN International, Al Jazeera transmite seu sinal em sua página na internet e em seus aplicativos. Portanto, o brasileiro que não tem acesso  ao canal na TV paga, tem essa opção gratuita. Nesta plataforma, os programas da rede são exibidos em simultâneo com o modo convencional, sem cortes. 

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