Telejornais que contam um só lado da história; não há esperança de isenção; entenda por quê

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Foto: Reprodução/Internet

Nos últimos tempos, o noticiário político na televisão chamou ainda mais a atenção dos brasileiros. Há muito assunto para ser esmiuçado. A cobertura dos fatos em Brasília ganharam reforço nas redações dos mais diversos veículos. Se espera, portanto, uma reportagem detalhada e quiçá mais aprofundada. 

Porém, nem sempre – ou na maioria das vezes – isso tem acontecido com louvor, dentro dos princípios jornalísticos. Os telejornais noturnos vestem a capa da imparcialidade editorial e, por dentro, preservam seus desleais, quando se considera a audiência, interesses empresariais. 

O cidadão comum do Brasil, infelizmente, não pode ter a expectativa de chegar em casa depois de um dia árduo de trabalho – quando está empregado, claro – e assistir ao noticiário. O objetivo de se atualizar sobre os principais fatos é anulado por um processo de desinformação. 

Entenda como os telejornais americanos lidam com as mídias sociais

Nesta semana, as centrais sindicais do país e setores importantes da sociedade finalizaram a preparação para a greve geral de 28 de abril. A paralisação é avaliada como geral porque conta com a adesão considerável de setores-chave.

A expectativa seria de que os telejornais noturnos, nesta quinta-feira (27), explicassem para sua audiência as razões para tal mobilização. Lembra quando a classe média alta foi às ruas pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff? Mais ou menos, era aquele nível de interesse que uma imprensa isenta deveria dar ao fato de agora.

Porém, não em um país com a composição midiática como a do Brasil. Os telejornais centrais das principais redes abertas, por exemplo, jogaram o fato para segundo plano na noite de quinta-feira. Um noticiário apontou a “preocupação” do trabalhador que utiliza trasporte público para chegar ao local de ofício. 

Outro programa abordou a aprovação da reforma trabalhista na Câmara, mas sequer contou que há fortes controvérsias. Pior: trouxe um especialista, aquele que tem o papel de legitimar o que o repórter fala durante a reportagem, e tomou uma posição. Além de apresentar apenas esse perito, a fala dele teve somente uma análise.

De que adianta esmiuçar – quando esmiuçam – um assunto de interesse nacional se o jornal só dá um lado? Se na faculdade de jornalismo se aprende que um mesmo fato tem sempre mais que uma versão, para os telejornais de maior alcance de audiência isso não vale. Um princípio básico do bom jornalismo está sendo ignorado enquanto o país entra em ebulição. Perde o público, perde a imprensa. 

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