Entenda como a Colômbia supera o Brasil em número de novelas; país vizinho é maior produtor América do Sul

lady

Divulgação/Canal RCN

A oferta por conteúdos televisivos em formato de telenovela ganhou proporções mundiais nos últimos anos. Antigamente, este era um gênero extremamente viável na América Latina, agora, novos players surgiram com propostas altamente interessantes. Elas vêm da Turquia, da Espanha, de Portugal, do Japão, da Coreia do Sul, de Angola e até das Filipinas. Com grande volume de oferta e demanda, o folhetim mais clássico perdeu espaço para narrativas mais realistas e modernas.

Neste contexto, um país passou a chamar constantemente a atenção do mercado. Outrora desprezada, a Colômbia se tornou indispensável quando o assunto é telenovela. O país, que apareceu no mapa mundial dos dramalhões nos anos 90, mostrou que sua produção telenoveleira vai muito além de ‘Café com aroma de mulher’ e ‘Betty, a feia’.

Veja uma lista com as novelas em espanhol não mexicanas que você deveria assistir

Com um modelo de realização mais moderno que as tradicionais casas produtoras Televisa e Globo, os colombianos conseguiram baratear os custos para se produzir dramas e, com isso, atraíram grandes produtoras internacionais. Consequentemente, desenvolveram rapidamente a indústria nacional. A produção de seriados no formato estadunidense, telenovelas, unitários dramáticos é exemplo da força do país hoje. 

Porém, com a infraestrutura devidamente preparada, Bogotá se tornou ainda um centro de desenvolvimento de novos formatos dentro do gênero telenovela. As produções da Telemundo, nos Estados Unidos, provam a viabilidade do modelo colombiano de gravar dramas mais curtos e por temporada. Assim, teoricamente, você tem mais estórias em todo um ano de produção e todas com narrativa mais veloz, sem criar barriga – quando a estória central é desacelerada. 

Ainda dentro deste processo de transformação, a Colômbia apresentou à América Latina – acostumada ao conto da moça pobre que se apaixona pelo rapaz rico – as narconovelas. Estas são produções baseadas em contos do narcotráfico, que faz parte da realidade do país e de todo o continente. Os produtores passaram, inclusive, a romantizar a trajetória de criminosos, o que gerou muita polêmica, mas obteve positiva resposta da audiência. 

⇒ Novelas turcas mostram que feijão com arroz da Televisa e da Globo cansou telespectadores

Diferentemente do Brasil, por exemplo, o mercado do país vizinho é mais aberto aos estrangeiros e eles levaram todo o know-how para lá. Esse intercâmbio já apresenta resultados positivos na linguagem e abordagem dessas produções. Os colombianos, assim como os brasileiros nos anos 70, apostaram forte em tramas mais realistas e próximas à cultura do telespectador. Portanto, as narrativas passaram a ter um fio condutor incrementado para seduzir o telespectador: gírias, regionalismos, maquiagem mais natural, personagens mais críveis, cenários reais. 

“A Colômbia dá muito tempo e muita importância à estória e ao desenvolvimento da estória. Antes de sair para gravar, tem uma estória armada, tem uma estória completamente clara. Se a novela vai bem ou mal, é outra questão. Mas todos, que estamos trabalhando na novela, temos claro quem é cada um dos personagens, qual é a trama principal, quais são as tramas secundárias, qual é a evolução dos personagens. Nos preocupamos muito que os personagens sejam de carne e osso”, disse há alguns anos à imprensa especializada a produtora Catalina Bridge, que trabalhou em ‘Betty, a feia’. 

Desta receita, saíram sucessos como ‘Pablo Escobar: o senhor do tráfico’ – exibida pelo Globosat Mais -, ‘Rosário’ – levada ao ar pela Band -, ‘Sin tetas no hay paraíso’, ‘El cartel de los sapos’, ‘El capo’, etc. Estas são algumas das telenovelas que influenciaram o gênero e chegaram a ganhar versões em outros países. O talento colombiano, reconhecido nacionalmente e ocupando todo o seu prime-time na TV, passou a ser internacionalizado. 

⇒ Novela colombiana sobre escravidão amplia mercado internacional; veja

Com as narconovelas a todo vapor e o público quase que saturado, os colombianos encontram outro estilo para manter o público sintonizado. Com o mesmo padrão de alta qualidade do acabamento e apelo popular, as bionovelas viraram febre e, hoje, são produzidas nos Estados Unidos e, também, no México. Elas são biografias em formato de telenovelas. Geralmente, contam a trajetória de vida de nomes importantes. Em 2015, ‘Lady, la vendedora de rosas’ foi o produto de dramaturgia mais visto da televisão colombiana.

Recentemente, ‘Celia’ – sobre a cantora cubana Célia Cruz – foi produzida prioritariamente para o mercado colombiano, mas fez sucesso em sua exibição nos Estados Unidos em horário nobre, além de estar prestes a estrear no México. A novela ainda foi exibida em países tradicionalmente consumidores de telenovelas como o Chile e o Equador. É importante ressaltar que a própria produção sobre o narcotraficante Pablo Escobar é considerada, também, uma bionovela. 

Esses fatos comprovam que a Colômbia não deverá ser desprezada enquanto país produtor. A aliança entre custos de produção mais baixos e alta qualidade coloca o país em vantagem. O exigente telespectador colombiano, que não aceita telenovelas turcas, brasileiras ou mexicanas no horário nobre, certamente, vai manter o produto nacional em alta. Com apenas dois grandes canais nacionais, o país produz mais que uma dúzia de novelas por ano. É mais que o Brasil. 

Anúncios
Nota | Esse post foi publicado em MUNDO TV NOTÍCIA e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s