Outrora protagonistas, novelas brasileiras perdem histórico espaço na televisão portuguesa; entenda por quê

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Foto: Divulgação/TVI

Talvez nem a TVI, quando passou a investir fortemente em telenovelas nacionais em Portugal, em 1998, acreditou que seria essa sua ‘galinha dos ovos de ouro’ para manter por muito tempo a liderança de audiência no país. Hoje, ao lado da SIC, tem os programas mais vistos de Portugal e, no topo, está a ficção nacional. As produções portuguesas, antes do sucesso no país e fora dele, construíram pouco a pouco seu espaço.  

Mas antes de compreender por que as novelas nacionais abocanharam as brasileiras, é preciso saber que só nos anos 90 é que Portugal passou a ter canais privado de televisão. Até então, o modelo era o público, bastante comum na Europa. Com isso, a rede pública RTP era a exclusiva opção da audiência portuguesa, que acompanhava – entre outras coisas – as novelas feitas no Brasil.

A primeira produção brasileira exportada para a Europa foi ‘Gabriela, Cravo e Canela’ no fim dos anos 70. A trama foi exibida pela RTP e marcou uma geração inteira. Na sequência, outras telenovelas foram exibidas, criando, então, o hábito português de acompanhar um drama brasileiro na TV. A novela brasileira como um todo passou a ser referência de produto rentável para a televisão em Portugal. 

No início dos anos 90, foi permitida a criação de canais privados no país. Foram fundados, então, a SIC e TVI. A primeira teve o apoio da Globo, inclusive, com a cessão de direitos de exibição das telenovelas produzidas no Brasil. A SIC passou a ter as melhores novelas brasileiras em seu horário nobre, competindo com a tradicional RTP. Logo não demorou para obter um contrato de exclusividade. 

A RTP, que apesar de pública, era responsável pela maior parte do faturamento publicitário da TV, passou a ter um concorrente de peso. A SIC se tornou líder com a fórmula usada antes pela RTP para manter a audiência nas alturas. Fórmula, aliás, muito parecida com a da Globo, que fundamentalmente programa uma novela, um telejornal e outra novela no horário nobre.  

A TVI, que surgiu mais tímida e não tinha as superproduções brasileiras para chamar a atenção do mercado publicitário e do público, teve que galgar seu próprio caminho com três focos principais: noticiário, telenovela e reality show. Com menos de uma década existência, o canal passou em investir em telenovelas nacionais. Começou ali a produção noveleira mais importante da história da TV no país. 

Em um primeiro momento, as novelas portuguesas pecavam em vários aspectos técnicos, especialmente quando comparadas com as brasileiras. Porém, com o passar dos anos, inclusive com a importação de profissionais do Brasil, as produtoras de telenovelas em Portugal passaram a ter mais qualidade, principalmente autoral. Com isso, as primeiras tramas de sucesso que bateram de frente com as brasileiras começaram a ser exibidas em 2001.

As produções compradas da Globo e, ainda, exibidas com exclusividade pela SIC, começaram a perder espaço. Pela primeira vez, desde a exibição de ‘Gabriela, Cravo e Canela’, as novelas do Brasil encontraram concorrentes em Portugal. Contudo, as novelas importadas resistiram à perda de interesse porque já haviam conquistado ao longo de décadas um público fiel. 

Atualmente, as tramas nacionais são as preferidas dos portugueses e isso está evidente na composição da grade das emissoras privadas. A TVI exibe três novelas nacionais e inéditas a cada noite, enquanto a SIC aposta também na ficção nacional, com pelo menos duas novelas. As tramas brasileiras foram realocadas para o fim de tarde, início de noite e para o fim de noite, perdendo o protagonismo no canal, que se mantém parceiro da Globo. 

Mesmo com influências da Europa e roteiros baseados em originais hispânicos, os produtos lá realizados são muito semelhantes ao processo brasileiro de fazer novelas. É possível afirmar que a tradição noveleira portuguesa iniciada com produções brasileiras influencia consideravelmente o conceito português de telenovelas. Por isso, ao assistir a uma trama portuguesa, é comum perceber uma atmosfera familiar, mas com sotaque português, evidentemente. 

A aposta na ficção nacional já rendeu reconhecimento internacional. Portugal é o segundo país com mais indicações ao prêmio Emmy Internacional por melhor telenovela e já faturou duas estatuetas. Com tudo isso, só falta os canais brasileiros, que excessivamente investem em novelas turcas ou mexicanas, perceberem que em Portugal há uma boa indústria, com um produto bem-acabado e, principalmente, realizado em língua portuguesa. 

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