Entenda por que os roteiristas deveriam se livrar de How To Get Away With Murder; ainda há tempo de salvar a série

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Foto: Reprodução/Internet

Quem viu deve admitir que ‘How To Get Away With Murder’ é uma das melhores séries da televisão aberta das últimas cinco temporadas. Criada por Peter Nowalk, o drama possui intensos giros que determinam muito bem a dinâmica da história. Esta característica conta muito a favor em um primeiro momento, mas pode se tornar cansativa.

 

AVISO: CONTÉM SPOILERS.

Agora, já na terceira temporada, ‘HTAWM’ se mostra deliciosa de assistir, uma série com quase todos os elementos muito bem equilibrados e ora, necessariamente, desequilibrados: é romance, é polícia, é comédia, é lágrima. Às vezes, a série se assemelha muito a um folhetim telenoveleiro.

Porém, ainda considerando todas essas qualidades, se você acompanha a trama de Annalise Keating desde a primeira temporada, já deve ter percebido uma considerável perda de fôlego. E eu não estou falando apenas de audiência ou repercussão, que caíram. A história dos cinco já começa a clamar por um final, por um desenrolar. E seria excelente que isso ocorresse com a série ainda em alta. Eu explico por quê.

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A pergunta que eu mesmo me fazia ao longo e ao fim da segunda temporada era justamente como os roteiristas iriam jogar o drama todo de Annalise e seus cinco para mais uma longa sequência de episódios. Eles, os roteiristas, eficientemente conseguiram. Agradeço muito.

Mas o fato é que, apesar do texto excelente, é natural que esperemos sempre mais. A exigência aumenta quando se trata de boas primeira e segunda temporadas; e se torna extrema com a assinatura de Rhimes, na produção executiva.

Não tenho visto uma terceira temporada tão empolgante. Talvez, foi divertida até o momento em que entramos no jogo e tivemos que, ansiosamente, deduzir por meia temporada quem é o protagonista morto debaixo do lençol e que deixou Annalise em prantos.

Durante essa inicialmente interessante e, até curiosa, tentativa de descoberta, rolou um cansaço de ter que esperar que a cada episódio um personagem aparecesse e, então, fosse eliminado da lista de possível protagonista morto.

Ok, funcionou. A maioria dos fãs amou. Mas e depois? Em um giro sinistro, que eu ainda não digeri, a personagem principal vê sua vida quase perfeita ruir e vai parar no xilindró. É, aí, que a série perdeu, na minha opinião, parte do brilho. Annalise Keating se vestiu de pobre coitada, passou a fazer drama.

A mulher forte da primeira temporada, aparentemente, estava morta. Morta! Sim, claro que estou considerando que ela carrega cicatrizes profundas e, ao longo, de toda a série sempre mostrou muita dor, muito sofrimento com a própria infelicidade.

Mas, paralelamente, ela nunca se deixou dominar pelas marcas do passado e sempre foi um exemplo para os demais. Os roteiristas optaram por humanizar ainda mais a protagonista e isso não era tão importante. Tanto que, nestes episódios, a expectativa foi sobre o momento em que ela voltaria a ser a competente Annalise Keating.

Tudo isso aconteceu para voltar com força total e injetar combustível nos seus pupilos e, então, save their asses. Não dá para não entender isso como uma enrolação propositada. Claro, que os artifícios todos são absorvidos pela audiência porque há tempos existe empatia para com os personagens centrais.

No entanto, os resultados, muitas vezes, não justificaram a intensidade dos dramas na temporada 3. O “amor maior que tudo de Laurel Castillo por Wes Gibbins”, de onde veio isso? Em alguns momentos, ficou claro que o sentimento de ambos é maior que a própria história deles. 

O fim da terceira temporada, com uma possível participação do pai de Laurel na morte de Wes, mostrou mais uma vez que a série vai atrás de qualquer recurso para fazer render um roteiro que já deveria estar na reta final. Claramente, houve uma mudança de rota, já que ninguém sequer pensou nesta possibilidade como “fôlego”. 

Os executivos da ABC, obviamente, vão explorar até não poderem mais, já que a série é um dos carros-chefe da programação. Do ponto de vista mercadológico, estão certos. Mas podem arruinar uma série que poderia ou ainda poderá entrar para a história como uma das melhores da década.

Neste momento, ‘How To Get Away With Murder’ já foi longe demais porque, o mote principal sempre foi que os personagens se livrassem de tudo que os conecta ao assassinato de Sam Keating, cometido por Wes e testemunhado, ajudado, direta ou indiretamente, por todos os protagonistas. Agora, de qual assassinato vão se livrar? Vão continuar se livrando de assassinatos?

A resposta só virá com os novos episódios, no próximo outono americano. Porque a quarta temporada será, provavelmente, a mais desafiadora para os roteiristas. Só, de fato, espero que ‘HTGAWM’ não se torne um novo ‘Revenge’.

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