Com público mais exigente, novelas mexicanas patinam e cedem espaço para as minisséries

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“El Hotel de los Secretos” é primeira novela curta exibida no horário nobre

Não é mais novidade que as séries para a televisão passaram a ter espaço garantido entre os telespectadores da América Latina. Outrora pactuada exclusivamente com as telenovelas, a audiência do continente se transformou e, agora, mais rapidamente que se esperava, força uma involuntária busca por novos formatos de teledramaturgia.  

As séries, por concepção, mais dinâmicas e ousadas em termos de narrativa, despontam como o caminho mais seguro para atrair um público que – por diversas razões – não tem disponibilidade para acompanhar uma trama de segunda a sexta-feira, durante oito meses, que, mais ou menos, tem um final previsível.  

No México, meca das telenovelas para quem fala nativamente o espanhol, a situação não é das mais fáceis para as grandes casas produtoras. Enquanto a TV Azteca optou por não mais produzir telenovelas tradicionais, a Televisa segue lutando para se renovar e concomitantemente não se perder de sua essência.  

Contudo, existem muitas controvérsias sobre a decisão da Azteca. Se por um lado os melodramas do canal não foram recentemente um enorme sucesso e motivaram a paralisação na produção, no passado, eles colocaram o canal Trece entre os mais assistidos. 

Apesar de a imprensa mexicana ver todas essas mudanças com natural ceticismo, o discurso dentro da emissora é de que o público já não se interessa tanto por telenovelas. Para a direção do canal, que tem se debruçado em cima de pesquisas de mercado, novos formatos de dramaturgia devem ser a aposta da vez. 

Em meio à crise, o departamento de novelas da Azteca defendeu, há um ano, uma singularidade mercadológica da televisão no México: a capacidade de reunir o maior volume de audiência dentre as mídias provedoras de conteúdo. Para o canal, as outras plataformas tendem a ser mais segmentadoras, o que em teoria pesaria negativamente junto ao mercado anunciante, propenso à segurança das mídias mais tradicionais.  

A Televisa, por sua vez, apostou em séries no formato americano há alguns anos, mas o modelo não é rentável porque, por exemplo, exige uma alta qualidade na produção para pouco tempo no ar. Agora, o risco é colocar as séries – ou minisséries como a Globo chamaria no Brasil – diariamente; sejam elas com 10, 60 ou 90 episódios.  

Essas transformações todas eram inimagináveis 15 anos atrás e mostram que a televisão mexicana sente fortes pressões para inovar. Diferentemente do que se faz na Colômbia já há alguns anos, os mexicanos preferiram não arriscar em produções de maior qualidade técnica e autoral. A combinação de histórias rosas e produtos de baixo custo funcionou eficientemente.  

Durante décadas, o México foi caracterizado como o país que produz as novelas mais rentáveis para a televisão de todo o continente e também para a Europa. Hoje, assim como a Globo, que viu a necessidade de coproduzir séries originais com outros países, os mexicanos lutam para não perder espaço em mundo muito mais globalizado e virtualmente interconectado. 

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