Rigidez na programação faz televisão americana ser mais profissional e respeitosa que a brasileira; entenda por quê

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Foto: Reprodução/Internet

Há muito tempo alguém disse que o segredo para uma programação televisiva de sucesso é o trabalho de habituar o telespectador. Se entende por habituar, tornar o ambiente confortável o bastante para que ele se sinta bem-vindo, querido. É preciso que ele se reconheça na programação e naturalmente absorva os horários em que cada atração é exibida.

Entendido isso, mudanças bruscas, sem devidamente preparar o público, podem causar danos irreparáveis a curto e médio prazo a uma grade. Em uma conjuntura competitiva como é a do mercado brasileiro de TV, não é mesmo fácil recuperar uma audiência perdida, talvez, já conquistada por outro canal.

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Parece um pensamento simples, e é. No mundo inteiro é assim. No mercado de televisão mais importante do planeta, o americano, essa regra de que televisão é tradição é levada a sério por executivos de todas as esferas. Ano após ano, mudanças de comando após mudanças de comando, as principais redes dos Estados Unidos mantêm o que têm de melhor: uma grade de programação estável. 

O país possui pelo menos sete grandes redes nacionais, três delas são tradicionalíssimas. Foram elas que estabeleceram o formato da televisão americana em vigor até hoje. Uma programação sólida no prime time, com programas de rede em momentos estratégicos do dia. Inclusive, esse é um modelo, muitas vezes, copiado e adaptado em outros países.

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Com um foco maior no horário nobre, as emissoras americanas podem concentrar e otimizar investimentos. As perdas acabam por ser minimizadas e os sucessos, potencializados. Para manter a programação em alta, e vale ressaltar que nem sempre isso acontece, a televisão americana tem uma grade rígida. 

Os horários são seguidos à risca, os intervalos comerciais entram no horário, um claro ato de respeito com o anunciante. Além disso, os seriados não começam às 20h03, às 20h07 ou às 22h22. Começam cronometradamente às 20h, às 20h30, às 21h etc. Outra demonstração de que a televisão por lá é extremamente profissional e respeita os envolvidos, de maneira geral.

Uma interessante vantagem dos programas se iniciarem e terminarem na hora anunciada é que o próprio telespectador pode se planejar melhor para assistir à trama de acordo com sua rotina. É uma cultura semelhante à inglesa ou francesa, com seus horários respeitosos, que não forçam quem está em casa a dormir mais tarde por mudanças na estratégia de programação. 

Essa realidade, obviamente, não é uma constante no Brasil e nos países da América Latina, claro. Pela disputa de décimos de audiência, atrasar a programação, encurtar programas, exibir o capítulo de uma novela sem intervalos é algo realmente cultural. É comum, ainda, esticar uma atração ou programar uma outra para evitar um confronto direto.

Claramente, isso é uma pena porque permanecem nos tempos de hoje – com uma gigantesca oferta e demanda por produtos de televisão – práticas do passado, práticas que, de fato, revelam que a periférica televisão da América Latina, ainda é feita de improvisos e a busca por profissionalização é tão pequena quanto o respeito por quem possui o controle remoto. 

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