Globo e Record vão bem fora do Brasil; Televisa se renova; e Caracol se destaca em cobertura jornalística

no-tomorrowO ano de 2016 acabou e, claro, deixou um legado para a televisão. Seja na Europa, nos Estados Unidos ou na América Latina, os crescimentos da demanda e da oferta de conteúdo impactaram na televisão aberta de diversos territórios. Alguns importantes competidores observaram que o caminho das coproduções é o mais viável dentro da conjuntura do ano que terminou e, ainda, será assim em 2017. Outros ‘players’ encararam mudanças drásticas em seus mercados domésticos, enquanto a discussão sobre formatos de teledramaturgia se manteve no centro das atenções para as tradicionais casas produtoras.

Mesmo com um portfólio não tão interessante, a Globo se manteve como maior exportador do país e amarrou um novo e importante contrato no Chile, ao passo que perdeu espaço na Argentina e no Peru. Por outro lado, segue forte com parcerias no México e nos Estados Unidos. Aliás, nos Estados Unidos, a Globo conseguiu o ineditismo para a televisão brasileira de ter no ar uma versão em inglês de uma produção original sua. ‘No Tomorrow’, um ‘remake’ americano de ‘Como Aproveitar o Fim do Mundo’, estreou no canal CW.

Com força, a Record pisou em mercados importantes em 2016. ‘Os Dez Mandamentos’, praticamente, paralisou a Argentina, enquanto recuperou a audiência do TVN no Chile. A novela foi exibida ainda no Uruguai, no Panamá, na República Dominicana, no México e no importante mercado hispânico dos Estados Unidos. Na emissora, algo assim só foi visto com a versão de ‘A Escrava Isaura’. Para 2017, ‘A Terra Prometida’, continuação da saga do povo de Moisés, deve estrear nos mesmos territórios já com um público fiel.

Se por um lado para as emissoras brasileiras foi um bom ano em termos de vendas, para os produtores turcos foi melhor ainda. O sucesso das produções do país europeu manteve o seu espaço em importantes países da América Latina. Já no México, os dois maiores produtores e exibidores de dramas enfrentaram questões como a queda de audiência em decorrência do apagão analógico e a fuga de anunciantes, além da concorrência com outras mídias, principalmente, com as que oferecem conteúdo sob demanda.

Veja abaixo os destaques de alguns mercados:

CHILE: as séries turcas provaram de vez que não são algo como ‘fogo de palha’. As produções nacionais também surgiram com força, principalmente, no Mega e na TVN. Uma das grandes notícias do ano foi o fim do histórico contrato do Canal 13 com a Globo, que se associou com o Mega, que por sua vez rompeu com a Televisa. Outros destaques são a cobertura e a grande audiência da Copa América Centenário, vencida pelos chilenos. 

ARGENTINA: nem o sucesso da dobradinha ’Los Ricos no Piden Permiso’/‘ShowMatch’, no Trece, foi capaz deter a liderança de audiência e repercussão de ‘Os Dez Mandamentos’, na Telefe. As novelas turcas mantiveram seu espaço em ambos os canais. As da Globo foram limadas da grade de programação por baixa audiência. Com a administração do presidente Maurício Macri, os canais abertos voltaram a transmitir os jogos dos grandes times de futebol no Campeonato Argentino.

MÉXICO: o ano por lá já começou agitado com as notícias de que a Televisa iria se renovar, o que, de fato, aconteceu em agosto com a aposta em minisséries no horário central e a renovação do jornalismo. As novelas da Televisa passaram a ter maior qualidade técnica. A Azteca também passou por severas mudanças e, inclusive, voltou a programar uma novela brasileira no horário nobre: ‘Verdades Secretas’, um sucesso de repercussão e crítica. Porém, o grande momento da televisão mexicana em 2016 foi o lançamento da terceira emissora de rede nacional, a Imagen Televisión.

ESTADOS UNIDOS:  as redes hispânicas lutaram muito pela audiência ao longo do ano que passou. Com produções colombianas e originais, a Telemundo, pela primeira vez na história, superou a Univision no ‘prime time’. O pouco interesse nas novelas tradicionais mexicanas, certamente, contribuiu para o mau resultado. Um dos grandes momentos foi mesmo a cobertura do funeral do cantor Juan Gabriel, em que tanto Telemundo, quanto Univision destinaram grandes recursos. 

PERU: praticamente sem novelas brasileiras nos canais abertos, a televisão peruana viu, mais uma vez, suas produções nacionais e baratas no topo de interesse do telespectador. Enquanto isso, as turcas fizeram a festa pela tarde. Os programas de concurso e o jornalismo sensacionalista mantiveram sua força na programação.

PORTUGAL: esse foi mais um ano em que a telenovela brasileira passou em baixa na televisão aberta. As produções nacionais reinaram, com destaque absoluto para ‘A Impostora’, na TVI, e ‘Amor Maior’, na SIC. O grande momento foi mesmo a cobertura da conquista da Uefa Euro pelo time de futebol nacional.

ESPANHA: continuou sendo um dos países mais sólidos quando o assunto é teledramaturgia. Grandes produções nacionais no ‘prime-time’, principalmente, na Antena 3, e boas ‘soap operas’ vespertinas. Algumas delas tiveram espaço no mercado chileno, mas a grande vitrine foi a versão mexicana de ‘Gran Hotel’. Ao longo de 2016, os produtores se mostraram atentos à crise e aos movimentos do mercado para baratear a produção, sem perder a qualidade peculiar do audiovisual espanhol.

URUGUAI: o mais tradicional mercado para as produções brasileiras teve um ano de muita novidade. As novelas da Globo, por exemplo, enfrentaram grande concorrência das turcas, dos programas nacionais e, até mesmo, de ‘Os Dez Mandamentos’. Contudo, a Teledoce mantém as globais como o centro da grade diária.

COLÔMBIA: se manteve como maior produtor de dramas da América do Sul, com boas séries, como ‘Sin Tetas Si Hay Paraíso’. Os programas de concurso da Caracol continuaram a dar o que falar no horário das 20h, enquanto que a RCN não teve um ano explosivo. O grande destaque positivo é, sem dúvidas, a cobertura jornalística da Caracol da tragédia da Chapecoense.

Vale lembrar ainda que o ano teve promessas que viraram micos. A Globo, por exemplo, anunciou para o mercado internacional ‘Supermax’ como algo incrivelmente impossível de não se assistir, mas a série foi rejeitada pelo público brasileiro. A versão em espanhol ainda não estreou, porém, não deve ser tão melhor, considerando que tem o mesmo argumento da realizada em português.

 Um caminho semelhante percorreu a “novela dos mesmos criadores de ‘Avenida Brasil'”, ‘A Regra do Jogo’. Um desastre no Brasil e no exterior. Enquanto isso, ‘Tres Veces Ana’ seria a novela que tiraria a Televisa do limbo tanto no México, quanto internacionalmente. Até agora, a novela não é considerada sucesso retumbante em nenhum canto. 

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