Momento pós-morte de Fidel Castro deve ser de reflexão ideológica na América Latina

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Estudios Revolución/Cuba Debate/Fotos Públicas

Por algum tempo, ainda será cedo para certezas, mas a ansiedade inadvertidamente permite pensar em um futuro diferente, agora, sem Fidel Castro. Seja em Havana, centro da lamentação, ou em Miami, onde se celebra.

Há quem acredite na redenção. Outros entendem que o caminho é a manutenção da resistência. Mas acima de qualquer ideologia é importante perceber que uma delas sofreu abalos consideráveis nos últimos tempos.

A perda de Hugo Chávez para as esquerdas do continente é, ainda hoje, um episódio não superado. O alinhamento contra um discurso anti-imperialista perdeu força diante do ignorável. A Venezuela e sua profunda crise institucional-política-econômica são a vitrine de uma instabilidade que veio cedo demais, até.

Para agregar, Argentina rejeitou nas urnas a continuidade de um governo prioritariamente para o povo. O Peru nem quis saber. E o Brasil e o Paraguai tiveram seus presidentes impichados. Claramente, o recado tem sido dado.

Agora sem a figura política de Fidel, os resistentes da América Latina precisam renovar suas estratégias para percorrer caminhos tão ou mais difíceis que os de outrora. A polarização voltou a ser uma questão central na sociedade, com doses caprichadas de intolerância, embora.

Para que as lutas por justiça social permaneçam possíveis, é necessário muito mais que apoio popular sustentado por políticas imediatistas e populistas. A necessidade de se provar que é possível botar um país em real progresso nunca foi tão iminente. Isso vale para o Brasil também.

Com as naturais dificuldades da posição, do poder, as esquerdas não acompanham as mudanças de tempo, teimosamente. Por isso, estão perdendo – e, de novo, repito – cedo demais. Aqui, resistir é insuficiente. Se espera autocrítica e propostas que priorizem o coletivo e eliminem a intolerância.

Apesar de que estava afastado do poder há quase uma década, a figura viva de Fidel Castro significou muito. A morte sacramenta, definitivamente, o fim de uma era.

Ainda que as mudanças aconteçam com a intensidade e velocidade que se espera, Havana não deve jamais ser desvinculada da sua importância política e ideológica históricas. E isso, certamente, não incentivará a volta daqueles que comemoram.

Líder da revolução e chefe do governo, Fidel Castro foi o maior líder de esquerda contemporâneo da América Latina. A partir de Havana, sementinhas foram plantadas em todo o continente. Cuidemos.

Fidel será lembrado.

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