Novelas argentinas perdem quando concorrem com as brasileiras na… Argentina; entendas as razões

moises

Reprodução/Internet

Em termos de cultura, inegavelmente, a Argentina é um dos países que mais influência têm na América do Sul. Aparece sempre como referência na literatura, no teatro, no cinema, na música, no idioma. Quando se trata de televisão, o país vizinho tem seus feitos, embora o mercado de lá seja tão particular.  

Atualmente, há duas grandes emissoras de alcance nacional. O Trece, que pertence ao Grupo Clarín, e a Telefe, que acabou de ser comprada pela Viacom, disputam a audiência acirradamente. Ambos os canais são de caráter generalista, portanto possuem programação voltada para o entretenimento, informação e algo de esporte.

 No campo de entretenimento especificamente, as emissoras – na maioria das vezes – terceirizam a produção de teledramaturgia. Tantos as telenovelas e séries inéditas veiculadas no horário nobre, e também à tarde, são realizadas por produtoras independentes. Isso torna o mercado argentino diferente do brasileiro e mais parecido ao colombiano, por exemplo.

Por ano, a Telefe e o Trece levam ao ar telenovelas originais, unitários e seriados. Os roteiros argentinos para adultos, embora não sejam uma constante na televisão brasileira, poderiam facilmente ter seu espaço por aqui. Em um passado nem tão distante, o SBT investiu em textos do país vizinho: ‘Chiquititas’, ‘Pérola Negra’, além de exibir no horário nobre e dublada ‘Lalola’.

Todas essas produções argentinas não têm um orçamento tão alto quanto uma produção da Globo, tampouco são tão caras como as colombianas. Porém, possuem maior valor artístico que a maioria das mexicanas, por exemplo. Essa característica faz do país um importante vendedor de textos para telenovelas da região. 

Com tudo isso, as produções rodadas em Buenos Aires dificilmente são exibidas originalmente em outros países. Muito provavelmente, os altos e baixos da indústria noveleira do país e o domínio mexicano limitaram o espaço da telenovela argentina, mesmo em países de língua espanhola. 

As novelas argentinas, sim, funcionam na Argentina. Porém, a ousadia que existe no cinema, por exemplo, não é equivalente nos textos para a TV. Diferentemente do que ocorre no Brasil, a televisão aberta do país também enfrenta há muitos anos a concorrência forte da TV paga. 

Além disso, tanto no mercado doméstico, quanto fora da Argentina, as histórias acabam sofrendo com “fenômenos” que, na essência, não são tão diferentes assim do folhetim clássico. Pelo terceiro ano consecutivo, os argentinos dão a uma trama estrangeira o título de mais vista do ano. 

Em 2014, foi ‘Avenida Brasil’, da Globo; no ano seguinte, houve furor por ‘Mil e Uma Noites’, da Turquia; e, em 2016, ‘Os Dez Mandamentos’, da Record, acumula altos índices de audiência, superando todas as telenovelas nacionais e o mais popular programa de auditório noturno do país. 

Evidentemente, todas essas produções têm qualidade e obtiveram sucesso em diversos mercados onde foram exibidas. Porém, esse não deixa de ser um momento para os players reavaliarem a Argentina enquanto mercado estratégico. O país já teve uma televisão considerada importantíssima para o continente, inclusive, quando se trata de telenovelas. 

Nem de longe, a TV argentina oferece ao Brasil o que já foi capaz. No começo da televisão no continente, nos anos 50 e 60, era comum a adaptação de textos originalmente desenvolvidos em espanhol para as televisões de Cuba, México, Venezuela e Peru. 

Aliás, muitos desses roteiros eram argentinos e a primeira telenovela brasileira exibida diariamente, ‘2-5499 Ocupado’, foi uma adaptação de um roteiro original do autor argentino Alberto Migré. Uma produção extremamente importante para a televisão porque abriu o caminho para o gênero que se tornou o favorito dos brasileiros. Essa mesma novela teve versões no México, na Colômbia e uma nova filmagem na Record: ‘Louca Paixão’, em 1999. 

No entanto, mesmo com uma histórica relevância na TV regional, com grandes profissionais, com a venda de formatos e textos para ficção, a televisão argentina perde em seu próprio terreno. Uma óbvia e necessária questão paira sobre os executivos em Buenos Aires: por que produções dubladas com artistas nunca antes vistos pelo grande público conquistam mais audiência que as novelas nacionais? A resposta também é óbvia, talvez.

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