Chile agora pode ser um dos mercados internacionais mais importantes para a Globo; entenda por quê

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Reprodução/Internet

Muita gente se surpreendeu com a notícia de que o Canal 13 não será mais o parceiro da Globo, no Chile. Agora a rede brasileira venderá suas novelas para o líder de audiência, o Mega. A mudança causou surpresa no mercado porque o 13 é parceiro da Globo desde os anos 90. Produções brasileiras de sucesso como ‘O Clone’, ‘Terra Nostra’, ‘Senhora do Destino’ e ‘Avenida Brasil’ foram exibidas pelo canal no tradicionalíssimo horário do almoço, quando o público chileno se acostumou a ver as tramas brasileiras. 

Mais recentemente, quando o Canal 13 deixou de ser “tão católico” e passou a ser controlado por um grupo privado, mudanças na programação se tornaram constantes. As novelas do Brasil, que começavam por volta de 14h30, foram remanejadas para mais tarde. Algumas, como ‘A Regra do Jogo’ e ‘Verdades Secretas’, estrearam antes no noticiário central e no horário nobre. A trama de João Emanuel Carneiro patinou e foi deslocada para a tarde, mas continua com baixa audiência e repercussão. Já a história de Angel e Alex é exibida apenas duas vezes por semana em um horário tardio. 

Diferentemente da época da “grade flexível” do 13, implementada pelo diretor de programação Vasco Moulián [ele tornou absolutamente imprevisível os horários de começo e términos dos programas e tirou as brasileiras do ar], agora o 13 tentou sobreviver em um mercado extremamente massacrado pela audiência do prime time do canal Mega. Porém, semelhantemente à época de Moulián, as novelas brasileiras não foram tratadas como produto essencial na guerra pela audiência. 

“Eles [representantes da Globo] nos contaram que estavam em negociação com o Canal 13 e que colocariam as cartas na mesa, já que não estavam chegando ao acordo que esperavam. E esse acordo não está relacionado à questão econômica, não tem a ver com dinheiro. A Globo tem interesse no cuidado do seu produto, da sua marca”, disse o gerente de conteúdos internacionais do canal, Juan Miguel Vicente, dando a entender que o canal brasileiro não estava contente com a manipulação de seu produto pelo 13.

Apesar da tradição, as novelas da Globo não são, exatamente, um arrasa-quarteirão em audiência. As produções do Brasil são vistas com muito bons olhos, são valorizadas pela alta qualidade técnica e artística, porém, não atingem as camadas mais populares da audiência. Isso significa que as tramas brasileiras são de nicho no Chile, quando não são um fenômeno como Avenida Brasil, que teve seu último capítulo exibido em horário nobre.

Impactado com a mudança, considerada radical, o mercado se pergunta, agora, sobre como o novo canal vai colocar um produto diferenciado e inédito na sua grade, já que costumeiramente apostou em novelas importadas e financeiramente mais baratas. “Antes [do sucesso das novelas turcas que transformou a audiência do canal] o Mega tinha um público muito mais D, mais de Televisa. Não tínhamos amplitude, e, agora sim, porque temos o público D, mas também o ABC1. Agora temos a possibilidade de pôr um conteúdo mais complexo e mais horizontal em termos de estratos socioeconômicos”, disse Vicente à imprensa local, sobre os produtos da Globo e as características de sua audiência. 

O mercado de telenovelas importadas no Chile é um dos mais ecléticos do continente. Além dos folhetins realizados no Rio de Janeiro, o país exibe regularmente em seus canais de rede nacional produções mexicanas, turcas, colombianas, americanas, portuguesas. Porém, foi com brasileiras nos anos 90, que as produções nacionais começaram a ganhar, por exemplo, em qualidade de texto. Algumas das novelas produzidas pela Globo foram feitas em espanhol para o público chileno do Canal 13. “Marrom Glacê”, “O Bem-Amado”, “Anjo Mau” são alguns exemplos. 

“Acredito que a influência das novelas brasileiras para nós é a maneiras de olharmos a nós mesmos por meio de histórias e desenvolver temáticas, de incentivar o debate dentro das casas”, explicou há quase dez anos, a El Mercúrio, o antigo diretor de teledramaturgia da TVN, Vicente Sabatini. 

Com o contrato de exclusividade com a Globo, o Mega tem planos ambiciosos para deixar de ser apenas mais um canal do mercado chileno. Além de exibir novelas brasileiras dubladas, os diretores esperam coproduzir e fazer do canal um dos principais parceiros da Globo. 

“Com 60% de vendas publicitárias no Brasil, percebemos que, além de exibir seus conteúdos, poderíamos ser sócios no sul do Pacífico ao coproduzir e desenvolver telenovelas em espanhol. Com nossos atores e os roteiros da Globo”, explicou o diretor do canal, Patrício Hernández. 

Essa é, sem dúvida, mais que uma volta ao passado, de quando os chilenos aprenderam com profissionais brasileiros e gravaram em espanhol novelas do Brasil. A televisão chilena continua a chamar a atenção no continente e se mostra extremamente estratégica para a Globo. O Mega amplia ainda mais as possibilidades da Globo e seu processo de coproduções internacionais. 

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