Novelas originais da Telemundo ameaçam histórica hegemonia da Televisa nos EUA; entenda por quê

 

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“Sin Senos Sí Hay Paraíso” é um dos maiores sucessos recentes da Telemundo

A Telemundo é uma emissora de televisão norte-americana, baseada em Miami, e pertencente ao gigante grupo de mídia NBCUniversal. O canal transmite toda a sua programação em espanhol e tem considerável tradição entre o público hispânico. Historicamente, a Telemundo foi apontada como uma opção à Univision, canal também em espanhol, que exibe as novelas da Televisa e líder de audiência entre um público formado, em sua maioria, por mexicanos e descendentes.

Durante anos, a Telemundo apostou em produções diversas de entretenimento para combater a Univision, mas foi nos tempos recentes que as estratégias mais arrojadas foram colocadas em prática e os resultados mais significativos apareceram. A Telemundo, até então, não era considerada o suprassumo das telenovelas. Apesar de sempre ter tido um modelo de negócio mais moderno que o da Televisa, o grande público e os atores renomados não viam a empresa como uma grande casa produtora. 

No começo dos anos 2000, ainda sem um grande investimento, a rede de Miami exibiu novelas importadas, dentre elas tramas da Globo. Com ‘O Clone’ sendo exibida em horário nobre, por exemplo, o canal hispano obteve interessantes níveis de audiência e repercussão  em uma época em que a internet engatinhava, ainda. Outras novelas brasileiras foram exibidas com boa aceitação.

A Telemundo sempre soube que para combater a Univision e ser uma opção entre um público heterogêneo era preciso mais que dramas do Brasil, era preciso investir em conteúdo próprio e original. A empresa passou a contratar atores com relativo nome e que estavam sem contrato com a Televisa ou com as venezuelanas Venevision e RCTV. 

A estratégia foi ousada e baseada no modelo norte-americano de produção de dramaturgia. As novelas eram feitas fora dos estúdios da Telemundo. Parcerias com produtores da Colômbia, do México e dos Estados Unidos, foram firmadas. Assim, o canal passou a agradar não só os imigrantes mexicanos, mas os de outras nacionalidades. 

No início também houve críticas por conta da miscelânea de sotaques. Geralmente, os personagens não passavam por um processo de neutralização ou mesmo de adaptação como sempre fez a Televisa. Com isso, era comum personagens da mesma família apresentarem sotaques de países diferentes, sem explicação dentro da narrativa.  

Com as novelas da Globo exibidas pela manhã e produção original no prime-time, a Telemundo, então, passou a ganhar destaque internacional. O canal se tornou um grande distribuidor de teledramaturgia para países da América Latina, da Europa e da África. A rede se agigantou tanto que passou a tirar espaço tradicionalmente ocupado pelas novelas mexicanas em países como Venezuela, Equador, Argentina. 

Isso aconteceu por algumas razões. Os folhetins da Telemundo sempre apresentaram narrativa e estética mais modernas que os tradicionais dramalhões de San Ángel. Além de apresentar estórias mais críveis, tramas originais foram feitas, atraindo os telespectadores já fartos de remakes de estórias rosas. 

Mesmo já produzindo atraentes telenovelas, foi só com as narconovelas, um modelo colombiano, é que a Telemundo explodiu. ‘La Reina del Sur’, uma coprodução com a Espanha, é que deu ao canal uma audiência gigante e inédita, batendo a considerada inatingível Univision. O fato provocou, inclusive, mudanças na grade da concorrência, que não exibia novelas na faixa das 22h. 

Além de adaptações colombianas, chilenas e brasileiras, a Telemundo continuou a produzir novelas originais. A emissora, que era segunda colocada em todo os Estados Unidos, passou a acirrar a disputa por audiência, disputando o target 18-49 anos. 

O investimento nas chamadas “superséries”, novelas de curta duração e com mais que uma temporada, deu resultados impressionantes. É o caso de ‘El Señor de los Cielos’, uma produção cara, bem realizada e que funcionou muito bem para a Telemundo em termos de audiência e repercussão. 

Em entrevista à imprensa durante o lançamento da programação 2016-2017, o presidente do canal, Luis Silberwasser, disse que a rede vai continuar investindo em novos formatos porque está funcionando. “Nossa estratégia de programação, impulsionada pelo sucesso das superséries e das bionovelas [formato original da Colômbia que conta a trajetória de um grande artista musical], fortaleceu nosso posicionamento como a rede que está redefinindo a televisão em espanhol”, resumiu. 

Telemundo no Brasil

O mercado brasileiro dominado pela Globo é um dos mais difíceis para qualquer empresa de mídia do mundo. Com a Telemundo, não é diferente. O canal, que está presente em todo o continente por meio de seu sinal internacional e, também, de suas novelas em canais abertos, pouca repercussão teve com seus produtos no Brasil, apesar de este não ser uma prioridade. 

A Band colocou no ar o unitário ‘Decisões da Vida’ (2010), um formato produzido na Colômbia, mas que não obteve grande repercussão entre os telespectadores da tarde. O programa foi ao ar dentro do vespertino apresentado por Marcia Goldschmidt.

Já o SBT investiu em ‘Caso Encerrado’, uma das marcas de maior sucesso da história da Telemundo. O programa é de auditório e foi dublado para ser exibido na TV aberta. De estilo “telebarraco”, não permaneceu no ar por muito tempo. Já na TV paga, o Mais Globosat exibiu ‘A Rainha do Tráfico’.

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