Novelas estrangeiras tomam vanguardismo das brasileiras e naturalizam romances gays masculinos

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Telenovela “O Beijo do Escorpião”  Divulgação/TVI

A Globo deve levar ao ar em ‘Liberdade Liberdade’ a primeira cena de sexo entre dois homens da história das telenovelas brasileiras. O fato é um marco para as produções do gênero que, mesmo trazendo à tona diversos debates, trabalham com dificuldades tramas de romance envolvendo personagens homossexuais.

 

Polidas, as cenas envolvendo papéis gays são pouco naturais e, ainda assim, causam enorme repercussão entre a audiência. Os estereótipos, ainda muito presentes em programas de humor, também se sobressaem nas telenovelas, que, por diversas razões, se preocupam com a porção conservadora de telespectadores.

A falta de jeito na abordagem de questões LGBTs no horário nobre expõe contradições em rótulos dados ao formato de telenovela brasileira. Apontadas como ousadas em outros tempos, as produções nacionais têm seus limites muito mais claros do que se imaginava até o momento.

O selinho em horário nobre dos personagens Félix e Niko, em ‘Amor à Vida’ (2014), aconteceu com quase 10 anos de atraso e sob pompas que, sim, tornam qualquer pequena naturalidade incabível. Claro, que se deve considerar que a produção é um melodrama e se sabe como são os melodramas.

Mas, em ‘América’ (2005), com o ‘beijo gay’ gravado e não levado ao ar na última hora pela Globo, se constatou que a televisão brasileira ainda padece de princípios conservadores e o progresso, apostando em narrativas naturais e não na espetacularização, não é uma prioridade absoluta.

Enquanto o Brasil ainda se impressiona – para bem ou para mal – com o beijo gay em uma telenovela, outros países comprovam – independentemente da idiossincrasia da audiência – que o tema pode, sim, ser tratado com muito mais naturalidade.

O Reino Unido, – o país com a melhor televisão do mundo, talvez -, por exemplo, costumeiramente exibe tramas relevantes envolvendo personagens gays em seus produtos de dramaturgia do horário nobre. Inclusive, não é de outro planeta os personagens aparecerem depois do sexo conversando sobre um tema qualquer.

A Espanha apresentou nos últimos anos séries com narrativas bem construídas e, inclusive, em produtos com relativa ousadia para a audiência mais jovem. O mesmo acontece na Alemanha, onde os personagens homossexuais têm toda uma vida comum.

A televisão argentina também trata o tema com mais sobriedade, sensibilidade e humor em telenovelas. Foi no país vizinho que foi levada ao ar em horário nobre da televisão aberta uma repercutida sequência de sexo entre dois personagens jogadores de futebol.

E, impressionantemente, a televisão portuguesa, que muito aprendeu da TV feita no Brasil, já investiu pesado em uma trama gay no horário nobre. Em ‘O Beijo do Escorpião’ (2014), o personagem de Pedro Carvalho, o Miguel de ‘Escrava Mãe’, da Record, foi parte de um romance com o papel do ator Duarte Gomes.

Desde os anos 70, as tramas – famosas por serem rodadas no Rio de Janeiro – apostam muito mais na naturalidade e na abordagem de temas sociais polêmicos. Não têm mais aquela ‘narrativa rosa’ que colocou a América Latina no mapa-múndi de produção audiovisual. Mas empaca na qualidade das tramas envolvendo personagens gays e isso pode ser fatal em um mundo que pede que a diversidade seja celebrada em toda a sua extensão.  

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