“Natal da Coca-Cola” não serve para o Brasil

CocaCola_Youtube

Reprodução/Youtube

Já é dezembro e, claro, todos começaram a emanar o tal do espírito natalino. O comércio, obviamente, já está a todo vapor com seus manjados recursos para sensibilizar o consumidor e, assim, enfiar a faca vender mais que no natal anterior. 

Como parte desses tentáculos, os filmes publicitários são muito esperados nesse período do ano. Algumas marcas têm um forte e tradicional vínculo com a celebração do natal. Esse é o caso da singular Coca-Cola, que sempre apresentou publicidades entediantes tocantes.

A empresa, que tem sede em Atlanta (EUA), trouxe para o ocidente o papai Noel tal como o conhecemos: homem, idoso, branco, gordinho e com vestimenta vermelha. Se tornou um símbolo natalino e, talvez, é um dos maiores exemplos de força da publicidade. 

Parte de uma massiva alienação ou não, muita gente espera anualmente pela publicidade de natal da Coca-Cola. Antes limitada à veiculação televisiva, agora, em tempos mais modernos, há divulgação de filmes na internet também. 

Em 2015, a companhia estadunidense encomendou uma peça publicitária – que deve ser veiculada em internet e televisão. Nela, claro, os personagens estão indiretamente à espera do símbolo mor. 

O vídeo, que tem chateado emocionado muita gente e foi rodado (também?) aparentemente no Rio Grande do Sul, começa com o garotinho protagonista exacerbando para o seu pai suas curiosidades e expectativas sobre o Bom Velhinho e o natal. 

Vou resumir mais (: o menino, então, escreve uma carta para o Noel e o pai a lê e realiza o sonho do menino junto aos amigos da cidadezinha em que vivem. Com um quê falho de drama, tudo dá certo no final e papai Noel, claro, chega ao vilarejo e todos felizes celebram o natal. Jingle bells! ♪♫♩♫

Ah! Esqueci de falar que o vídeo tem um BG da sonolenta clássica trilha da Coca… Nenhuma novidade até mesmo no que não havia no vídeo. 

Faltou um elemento fundamental que qualquer agência de publicidade, que qualquer cliente no planeta – inclusive a Coca-Cola em outros mercados – consideraria como um trunfo e um alinhamento natural com os tempos atuais. Faltou diversidade.

Além de remeter a um natal extremamente anglo, fora dos padrões brasileiros, não há elementos que provoquem identificação em quem não é absolutamente do biotipo anglo-europeu. 

Provavelmente, os milhões de consumidores de origem indígena, os negros, os asiáticos que compram produtos da Coca-Cola no Brasil não se identificariam com a publicidade quando procuram – ainda que inconscientemente – elementos de total combinação com sua cor, com seu espaço, com sua cultura. 

A Coca-Cola ficou devendo ao pintar – mais uma vez – um mundo perfeito, onde somente quem é dominante em um país racista pode desfrutar da magia do natal ou, até mesmo, comprar Coca-Cola, essa que é a marca de refrigerantes mais bem avaliada do país. 

Porém, apesar da veiculação dessa publicidade completamente inadequada para um país em plena formação, um país que tenta a cada instante ser melhor e não repetir injustiças e tragédias contra o seu próprio povo, o poder massivo e sufocante da publicidade pode ser silenciador. 

Não haverá queixas, não haverá indignação. É senso comum acreditar nos padrões de perfeição estabelecidos por toda uma cadeia formada por quem impõe opinião. 

Além disso, existe um Estado negligente quando se trata de permissão ao povo para verdadeiramente refletir e agir sobre o que é, onde está e para onde vai.

Aqui, deixo o vídeo para que você – também – avalie. 

 

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