Punir o Corinthians é pouco; é hora de ser profissional, Conmebol

Nicolaz LeozA morte do torcedor Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, em Oruro, Bolívia, se tornou o centro das discussões na manhã de quinta-feira (21). O jovem foi atingido por um artefato pirotécnico enquanto torcia pelo San José no jogo contra o Corinthians na Copa Libertadores.

As informações ainda são evasivas, já que não se sabe, – quem da torcida brasileira -, de fato, arremessou, de propósito ou não, o objeto contra os fanáticos da casa.  Se comprovado que um torcedor corintiano é o responsável pela tragédia, o clube do Parque São Jorge pode ser punido, inclusive com a expulsão do campeonato.

Muito além das penas impostas ao Corinthians e ao criminoso, que devem pagar ao menos pela imprudência, é preciso se aprofundar na realidade sul-americana e da entidade que comanda o futebol no continente, que não é exatamente referência em termos de organização e responsabilidade.

É comum, em jogos de Libertadores e Copa Sul-Americana, a falta de respeito ao ‘consumidor’ em relação ao que deveria ser um espetáculo. Com estádios de má qualidade, campos em péssimas condições, horários ruins, jogos tecnicamente terríveis e violência verbal, física, etc, os campeonatos da Conmebol são uma verdadeira zona. A morte de Kevin é apenas resultado de uma administração desastrosa e voltada para interesses políticos em busca, é claro, de lucro financeiro.

Com esse pouco caso para com uma das partes mais importantes de um jogo de futebol, os estádios no Brasil e nos países vizinhos são verdadeiros campos de batalha, em que a rivalidade tira qualquer resquício de entretenimento. Realidade totalmente contrária ao que acontece nos esporte americanos, por exemplo, em que o público em geral tem prazer ao assistir um evento esportivo.

Mais que lamentar a tragédia anunciada, é preciso agir efetivamente na raiz do problema. É hora de realizar uma profunda mudança cultural na Conmebol e suas afiliadas. No mundo de hoje, não há espaço para politicagens, amadorismo e, muito menos, pessoas que vão ao estádio ostentar fanatismo sem respeitar mulheres, homens, crianças.

Curioso que os torcedores que não aceitam a opinião do outro, que não conseguem conviver com o fato de que há um adversário, não percebem que não haveria razão de competir se não houvesse um lado oposto. Querem eliminar literalmente o rival e jogar contra quem afinal?

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