Faça o que diz a minha bíblia

ReproduçãoUm pastor evangélico decidiu levantar uma campanha contra a minissérie “O Canto da Sereia”. Para ele, a produção é ‘errada’, quase que um pecado dos terráqueos e é preciso impedir a disseminação de coisas desse tipo na televisão brasileira. 

Para a sorte da maioria, a campanha não vingou e a produção da Globo estreará amanhã (terça, 8 de janeiro) com força total. Mas, ainda assim, é preciso refletir sobre o que significa esse tipo de posicionamento do ‘camarada’. 

A estória do folhetim se passa em Salvador, Bahia, região bastante ligada às tradições africanas, especialmente, às religiosas. Ou seja, há referências ao candomblé, religião abominada pela ‘classe evangélica’. Tecnicamente é compreensível que as particularidades locais tornem-se parte da trama. Ou, então, “O Canto da Sereia” poderia se passar na China.

O episódio envolvendo o pastor revela, uma vez mais, a tentativa da Igreja de invadir o espaço privado dos crentes. Não permite escolha porque pecar não pode. Isso dá a entender que eles são todos santos, ops… ‘Santos’ não pode: é pecado. 

Protestantes, não todos, adoram apontar o erro mortal do outro. O fato de se sentirem bem, – e isso é legítimo -, faz com que acreditem que o que é bom para si é para o outro na mesma proporção. 

Já não bastam o jornalismo ou a publicidade, também a Igreja quer determinar o que você pode ou não pode ‘consumir’. Baseada em distorções da bíblia ou interpretações convenientes, fazem uma espécie de opressão mental nos fragilizados. E funciona.

O ‘pastor revolucionário’ se esquece em seu posicionamento que o controle remoto já é uma realidade e não se lembra que o país no papel é democrático, todos têm o direito de ir e vir, assistir ou não assistir. 

Ao contrário também vale, assim os ‘não crentes’ têm o direito de trocar de canal quando começam aqueles cultos no horário nobre, nas madrugas, nas manhãs, o dia inteiro na televisão brasileira. 

Os evangélicos, não todos, entendem que eles estão certos e os outros errados. E, mesmo sem serem chamados, têm por obrigação, pelo fato de serem mensageiros de Deus, levar a palavra aos macumbeiros, aos católicos, etc. Todos os pecadores que podem optar pela salvação divina. 

E há uma salvação. Educar. Permitir que os menos favorecidos tenham condições de realizar escolhas com mais clareza e não se encantem com meia dúzia de palavras bonitas, sem nem mesmo entendê-las nas entrelinhas. 

Ressalto que todos têm o direito de expor suas ideias e, até mesmo, convencer o próximo de que tal caminho é ‘mais agradável’. Mas, geralmente, isso não é feito de maneira justa. As condições desse tipo de acordo são baseadas em uma hierarquia absurda. Deus tem vergonha ‘desses’ evangélicos.

Anúncios
Esse post foi publicado em COTIDIANO e marcado , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s