Brasileiros já não são tão receptivos assim; estão cada vez mais intolerantes

Em tempos de crise, os “brancos europeus” são bem-vindos. “Índios bolivianos” não, de jeito nenhum. A emigração massiva de sul-americanos, africanos e asiáticos tem configurado uma realidade que desmonta a imagem midiática que o Brasil adquiriu no século passado.  O velho estereótipo de nada vale nos dias atuais: brasileiro é um povo amigo, alegre, hospitaleiro… 

Naturalmente, a expansão econômica do Brasil e a consequente onda de oportunidades criadas tornaram-se atraentes para diversas nações. Muitos profissionais com “belos” diplomas da Espanha, de Portugal, da Itália, da Alemanha, da França e/ou dos Estados Unidos chegam ao país primeiro para se livrarem da crise que assola suas nações e segundo para fazer riqueza por aqui.  São bem recebidos, afinal, “têm pedigree”. 

Também desembarcam no Brasil bolivianos, peruanos, paraguaios, haitianos e angolanos, mas esses fogem da pobreza inveterada que tomou conta de seus países desde os tempos de colonização europeia. Há ainda os chineses e os coreanos. Geralmente, são colocados em sub-empregos e trabalham sem qualquer respaldo estatal por estarem ilegais. 

O Brasil vive o “problema” estadunidense com os “chicanos”. É a mesma situação, mas, óbvio, em proporções diferentes. Com uma postura xenófoba, a maioria dos “hospitaleiros” brasileiros não aceita que “gente imunda” venha tirar emprego de nascidos aqui. 

A hipocrisia, sobretudo, de São Paulo para baixo [no mapa do país] chega a ser assustadora e grave. Se o cara vem pôr em prática seus conhecimentos adquiridos em Harvard, vale. Se for um pobre boliviano, não pode.  Percebe a crise moral?

Alguém me explique onde está a solidariedade, o espírito do bem que dizem estar presente no povo brasileiro. Está escondido na ignorância. Maldito preconceito, que destrói povos, culturas, sonhos de pessoas que lutam para ter uma vida digna. Direito de qualquer ser humano e por escolhas erradas e históricas privam do princípio à felicidade. 

A falta de ciência europeia e norte-americana para com os brasileiros não se justifica, mas é a mesma postura que muita gente tem aqui em relação aos vizinhos “mais pobres”. A maioria dos brasileiros mal conhece a história do próprio país, logo é entendível a razão de não entender o motivo da América do Sul ser a periferia do mundo. 

Lamento profundamente que compatriotas adotem uma postura ilógica, ignorante, xenófoba e racista com os emigrantes. Apesar da lástima, não causa surpresa. Não é à toa que o paulista típico não é nada querido pelos demais brasileiros.

Há alguns meses, um amigo deu uma declaração que me assustou em um primeiro momento, mas depois ficou claro que o pensamento dele é um presente, insistente senso comum. Para aquele rapaz, São Paulo só tem pobreza em razão dos “‘miseráveis’ nordestinos, que povoaram a periferia paulista”.

Imagine, se temos PRECONCEITO com gente também brasileira por causa de sua aparência física, cultura e conta bancária, os estrangeiros vermelhos, amarelos, negros e pobres que não esperem amabilidade.

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