A rede social

As redes sociais da internet estão cada vez mais reais quando considera-se a importância que têm na vida dos usuários

A carteira de identidade. A sua apresentação ao mundo. A sua vida em comunidade, grupos, guetos.

Se você não tiver, você não existe. Seria um salmão nadando contra a maré. Sim, porque seus familiares e amigos têm. Seus colegas de trabalho, com certeza, passam boa parte do expediente conectados.

Se apresentar por meio de um perfil no Facebook é uma regra imutável para quem deseja estar inserido nas modinhas do momento. É indispensável para saber o que funciona ou o que não funciona. Para saber o ritmo musical do momento, o programa de televisão mais popular. 

As pessoas há tempos têm deixado de ver televisão para manter-se online em um daqueles joguinhos viciantes do Facebook ou ficar mesmo batendo papo pelo serviço de chat da rede social. Além do abandono à TV, os usuários passam mais tempo conectados que fazendo atividades como sair e conversar ao vivo com amigos. 

Isso tudo não é novidade. Tem sido informado pela imprensa desde o boom da internet na segunda metade da década passada. Já é incontável o número de redes sociais disponíveis na web. E elas estão cada vez mais segmentadas. Ontem, descobri o GetGlue, destinada ao mundo do entretenimento. 

Confesso que, como mero mortal, não poderia ficar de fora da onda do momento. Fiz perfil no Orkut e o excluí depois de meses porque o considerei inútil. Refiz pela necessidade de comunicar-me com o mundo (medo dessa afirmação). Depois fiz Twitter e percebi que não sabia usá-lo de maneira adequada. Ora postei informações inúteis como “estou indo malhar”, ora coloquei notícias de interesse público. Com o tempo notei que as nuances são válidas. 

Obviamente foi necessário fazer um perfil no Facebook. Naquela época, era uma ‘coisa parada’ e pouco difundida no Brasil, ainda. Dei um tempo. Em 2010, a rede social passou a crescer no país em número de adeptos, o que claro, obrigou-me a participar mais ativamente. 

O curioso é que o Facebook passa por fases. Há momentos em que o fluxo de informações é frenético, época, por exemplo, de Copa do Mundo. No entanto, há momentos (a maioria deles, por sinal) em que o tédio torna-se sinônimo de “Face”. 

Analisando de maneira mais estreita e baseando-me em minha própria história nas redes sociais, percebo que há uma necessidade coletiva de que se participe e se interaja com os amigos. É de fato uma vida virtual. E, como dizem alguns, nas fotos do Facebook ninguém é feio ou triste.  Tenho a sensação de que os usuários fazem de tudo para serem notados, vistos.  Seria por que têm problemas de relacionamento na vida real? Afinal, na internet você pode estabelecer-se como “ser humano ideal”.

Sim, o Facebook e afins permitem, de certa forma, democratizar a opinião individual sobre determinado tema. Você vai lá e escancara e todos, bem ou mal, curtem, compartilham, contestam e, seguramente, lêem.

Mas sobressai o fato de que a rede social tem, por característica própria, ocupar um espaço na rotina que era destinado à vida real.  Com isso perde-se ou ganha-se? No meu caso a balança em breve vai pender à perda. Para mim, os sintomas aparecem a longo prazo.

O tédio que sinto do e no Facebook é constante. Apesar de acessá-lo todo dia, com uma necessidade de fazer-me parte da sociedade, não sinto prazer em ver as futilidades que ali são publicadas ou ficar minutos, horas olhando para uma tela.

Ah! Sim. De uma forma geral, há mais futilidades que informações válidas (no meu entendimento, claro) no meu ciclo no Facebook. E com o serviço de compartilhamento, tornando-se um hábito permanente dos usuários, nota-se que as futilidades vão além da minha rede de amigos.

Sabe aquela historinha do menino que fica o dia inteiro jogando video-game enquanto poderia estar aproveitando o dia de verão? É assim que sinto-me. 

O Orkut tampouco importa-me. Parece uma estátua. E, por isso, não há por que acessá-lo, além de contatar os amigos.

O Google Plus, bem… Continua lá. 

Já o Twitter parece ser o mais útil de todos. Você segue quem quer e ponto. Não precisa adicionar quem não deseja e na sua time-line há informações que de fato te interessam, não correndo o risco de ver algo repudiável. 

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Uma resposta para A rede social

  1. Robson disse:

    Ótimo texto Renan!
    Só achei que faltou uma boa conclusão, você como um bom jornalista deve ter percebido isso.
    Gostei bastante da parte em que você diz que “Tenho a sensação de que os usuários fazem de tudo para serem notados, vistos (…) Afinal, na internet você pode estabelecer-se como ser humano ideal.” Comumente tenho essa impressão sobre minhas atividades nas redes sociais. Sempre fui um pouco anti-social na vida real, e a internet aflorou um pouco mais meu lado extrovertido, como já dito lá pareço uma pessoas mais legal!rs
    Só o que não posso e até já tentei fazer é viver como se meu perfil dissesse quem eu realemente sou, sinto que muita gente sofre com esse problema nas redes sociais. Contrói uma imagem de si mesmo que não passa perto do que ela realmente é. E quando esse castelo de ilusões é derrubado o desespero e tristeza torna-se aparente, principalmente nos mais jovens.
    Abraço, continue escrevendo!

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