Mesa do brasileiro está repleta de produtos com excesso de açúcar

Além do exagero no consumo de açúcares, brasileiros passam do ponto na ingestão de gorduras

Alimentação com pouco açúcar é fator importante no combate a patologias como diabetes, obesidade e problemas cardíacos, alertam os médicos. A mudança de hábitos dos brasileiros aumentou a presença de alimentos que contenham açúcar em sua composição no cardápio do dia a dia, como iogurtes, biscoitos recheados e refrigerantes, apesar de o açúcar refinado ou branco, como é chamado, estar cada vez menos popular no país.

“O açúcar é nosso principal combustível, quando consumido em excesso será estocado na forma de gordura, podendo levar à obesidade. Em um portador de diabetes mellitus (aumento de glicose no sangue) poderá levar a descompensação glicêmica e até ao coma”, explicou a endocrinologista Sylvia Ghiotto Abdian. A médica esclareceu, também, que o alto teor de açúcar no tubo digestivo, que possui alta fermentação, pode causar gastrite.

A nutricionista Janaína Silva diz que nas últimas décadas o Brasil passou por uma transição nutricional. “Se antes tinha um retrato de desnutrição, deficiências de vitaminas, agora há a obesidade. Mudou o hábito alimentar. Antes nós tínhamos uma característica de plantar na horta e não tinha toda essa industrialização, com a missão de facilitar a alimentação”, afirmou.

Um dos motivos que reverteu o cenário da desnutrição no país foi o ingresso de mais famílias na classe média e o consequente acesso a alimentos semiprontos, que oferecem praticidade e rapidez no preparo.

Em relação aos anos 70, a ingestão de açúcares embutidos nos produtos aumentou para 16,4% por pessoa ao ano, segundo dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares), realizada em 2008 e 2009. O recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é que este consumo não ultrapasse os 10%.

A mesma pesquisa, no entanto, mostra que o consumo de açúcar refinado, fora da composição de um determinado alimento, diminuiu. Nos anos 1974 e 1975, os brasileiros ingeriam, em média, 15,8 quilos deste produto. Na POF realizada no final da década de 2000, este número foi para 3,3 quilos, o que representa uma redução de 79%.

A POF também divulgou, em 2009, que metade da população adulta brasileira está acima do peso padrão estabelecido pelo OMS. Além disso, a pesquisa constatou que crianças e adolescentes brasileiros também têm excesso de peso.

Além do teor de açúcar, os produtos industrializados possuem excesso de gorduras lipídicas. A endocrinologista Sylvia alerta que o abuso na ingestão de gorduras saturadas, além de contribuir para o ganho exagerado de peso e obesidade, pode levar a elevação de colesterol, doença aterosclerótica (inflamação nos vasos sanguineos) e problemas cardiovasculares, aumentando o risco de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico.

A família da dona de casa Sônia Aparecida Mioto de Carvalho, 47 anos, consome bolachas recheadas e iogurtes, 1 quilo de açúcar refinado por semana, além de doces em geral. Sônia, que mora com o marido e mais três filhos, diz que costuma equilibrar a alimentação evitando frituras e preparando as refeições com pouco óleo e sal. “Tentamos consumir a quantidade normal para uma família. Sou eu quem determina a alimentação, mas como tenho dois filhos adultos não posso controlar quando estão na rua”, disse. Sônia conta, ainda, que quando não tem tempo, opta por algo mais rápido de preparar e que um de seus filhos já teve problemas de saúde quando comia com mais frequência “besteiras” na rua.

“A informação é fundamental para a qualidade da alimentação das pessoas”, afirmou a nutricionista Janaína. De acordo com ela, é uma questão de hábito alimentar. Frutas, verduras e outros alimentos saudáveis devem ser inseridos aos poucos nas refeições até que se torne um costume. Janaína afirma que o nível adequado de consumo de açúcar, por exemplo, depende das características de cada pessoa, mas é fundamental um equilíbrio entre fibras, carboidratos e proteínas.

A professora Dinalva Santos, 37 anos, mudou os hábitos alimentares da família aos poucos. Ela passou a substituir alimentos como o açúcar refinado por açúcar cristal ou adoçantes. “Acho que aqui em casa o consumo de açúcar é normal, já que evitamos o refinado e preferimos alternativas. Faço o máximo para ter uma alimentação saudável e saborosa. Evito frituras e carnes vermelhas, também não consumimos muito refrigerantes, lanches e doces em geral”. A professora diz, ainda, que o marido é hipertenso e que isso, além de exigir uma atenção especial com relação à quantidade de sal no preparo das refeições, faz com que ela prefira grelhados e saladas.                                                                                                                            

*Essa reportagem teve colaboração de Ricardo Fotios.

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