Brasil dos jogos eletrônicos

Pirataria chega a 94% no Brasil e provoca perdas superiores a US$ 200 milhões

Criado no final da década de 1950 pelo físico William Higinbothan, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da bomba atômica, o videogame se tornou hoje uma ferramenta poderosa. Só perde para a indústria da música no ramo de entretenimento, Hoje, inclusive, desenvolver jogos para consoles como Xbox 360 ou Playstation pode custar mais caro que produzir um sucesso de bilheteria em Hollywood.  Por toda essa importância que o setor representa, o Brasil como potência emergente não poderia ficar de fora do mercado de jogos eletrônicos. Empresas importantes como a Sony já enxergam no país um mercado em franca expansão.

Atualmente há o registro de 55 desenvolvedoras de jogos em funcionamento no Brasil. O país é o segundo mais importante na América Latina, perdendo apenas para o México que tem cerca de 80% de sua exportação direcionada aos Estados Unidos. Enquanto os mexicanos representam cerca de 66% do mercado latino-americano, a indústria nacional é responsável por 21%. A população brasileira é quase o dobro da mexicana e aos olhos dos grandes players existem oportunidades de investimento. Em 2008, no auge da crise financeira mundial, o setor de games no Brasil cresceu 31% na área de software e 8% na área de hardware.

Um exemplo mais evidente da vitalidade dos games no país é a intenção da Sony em produzir no Brasil softwares para Playstation. A empresa, de origem japonesa, já possui um projeto para apoiar universidades e produtoras de jogos brasileiras. O mercado brasileiro deve superar o mexicano já no início de 2011, se tornando o maior em revendas de softwares e hardwares da Sony na região.

Apesar de o cenário ser favorável, a carga tributária ainda impede que o Brasil se torne um dos principais pólos para o mercado de games mundial. A produção brasileira é de 0,16% do total produzido no mundo. De acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, a porcentagem de impostos e taxas sobre os jogos e o console Playstation pode chegar a 72,18% do valor total. O estudo ainda aponta que esses são os campeões de tributos.

Com isso o encarecimento de jogos e consoles resulta na alimentação de outro mercado, o da pirataria. A venda de produtos não licenciados ainda é um dos principais obstáculos para entrada no Brasil de empresas como a Nintendo. Um jogo que custa cerca de R$ 150, é vendido por aproximadamente R$ 30 no camelô.

A pirataria chega a 94% no Brasil e provoca perdas superiores a US$ 200 milhões, o que leva a efeitos contrários e gera danos. “Traz prejuízos para ambos os lados, tanto para o governo que deixa de arrecadar tributos quanto para o cidadão que não tem garantia do produto comprado”, afirma o contador Francisco de Assis Alves Brígido.

Além disso, a carga tributária sob patentes impede que o Brasil desenvolva jogos de grande tamanho para concorrer em condições de igualdade com outros países no segmento de plataforma. Em função disso, o Brasil importa jogos de pólos importantes como Estados Unidos e China.

Pensando em diminuir a pirataria, atrair investimentos para o Brasil, e, por consequência, diminuir o preço de videogames e seus periféricos no país, está em fase de execução o projeto Jogo Justo a fim de colocar de vez o Brasil no mapa mundi dos games.  O projeto é de autoria do Deputado Federal Luiz Carlos Busato (PSB-RS) e recebe o apoio de distribuidoras, desenvolvedoras e universidades em âmbito nacional.

O desafio é convencer a Receita Federal de que o setor de games tem potencial e pode contribuir para o desenvolvimento do país. Jogo Justo defende que videogames devem ser reconhecidos como produção intelectual do Brasil e não um produto supérfluo. O propósito é de que ocorra o mesmo que aconteceu no México, onde a diminuição de tributos sobre jogos fez com que o mercado ficasse oito vezes maior.

Ainda é preciso levar em conta que uma reforma tributária com redução de taxas e impostos dificilmente vai acontecer, afirma Brígido: “Existem lobbies de prefeitos, governadores e deputados, além do Governo Federal. Pense numa empresa e o principal diretor propondo redução de salários aos seus empregados”. Ele, que também é professor universitário, ainda diz que se houver uma reforma será somente na simplificação da apuração e recolhimento de tributos que já existem.

Smartphones e advergames – Se o mercado de jogos para consoles vive um clima de otimismo, o de jogos para celulares vive uma expectativa ainda maior. Aproximadamente, 85% das empresas brasileiras focam a produção em telefones móveis (22%) e PC’s (63%).

A principal vantagem em produzir para esse nicho de mercado é que os canais de distribuição de jogos já estão prontos. Exemplo disso, é o iTunes da gigante americana Apple. O programa pode ser definido como um tocador de mídias e serve como plataforma para que usuários desfrutem de jogos digitais.

Uma característica dos jogos produzidos para celulares é o advergame, junção da palavra em inglês advertise, que significa propaganda, e game. Ao contrário dos jogos de plataforma, são mais baratos de produzir e tem o intuito publicitário.

O setor de jogos eletrônicos tende a crescer porque o mercado de celulares também está crescendo. As produtoras estão pipocando e as grandes estão vindo para São Paulo, como a Microsoft, por exemplo”, disse o coordenador do curso de jogos digitais da Universidade Metodista, Sergio Dassie Genciauskas.

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