O mau jornalismo da TV precisa de um basta

Televisão brasileira exibe tragédias em busca de audiência

O telejornalismo em seus primórdios se utilizou da linguagem da ferramenta de informação mais consumida na primeira metade do século XX, o radiojornal. A televisão surgiu como um novo meio, ainda sem forma e foco próprios e com o tempo precisou descobrir um caminho para trilhar.

Em 1928, nos Estados Unidos, aconteceu o primeiro programa televisivo de caráter noticioso. Naquela época, o telejornal era composto por um apresentador que lia as notícias impressas diante da câmera.

Com o passar do tempo, esse apresentador ganhou notoriedade e se tornou ‘o âncora’. Mais que um leitor de notícias, o âncora é a linha editorial do telejornal em forma humana. Cabe a ele a tarefa de imprimir às notícias um tom mais ou menos opinativo.

Com a rapidez e o volume de informações proporcionados pela evolução tecnológica, os telejornais se tornaram mais segmentados. Deixaram a característica generalista para se tornarem policiais, econômicos, esportivos, políticos.

No Brasil, evidentemente, os policiais estão com a corda toda. Desde a implantação do Aqui Agora pelo SBT nos anos 1990, surgiram diversos jornais do mesmo gênero. E com ele, claro, o âncora se tornou figura ainda mais participativa na apresentação da notícia.

Vejamos hoje

Apenas no final de tarde e início de noite das cinco emissoras de alcance nacional, três exibem telejornais que focam casos de polícia. E todos têm um propósito muito bem definido, alavancar a audiência da programação do prime-time das redes. Há ainda os de início da manhã e do horário de almoço.

A televisão brasileira, reconhecida como umas das melhores do mundo, perde quando valoriza a quantidade de audiência e não a qualidade. Os popularescos deixam de cumprir o real papel do jornalismo quando o apresentador é uma caricatura.

É comum nestes noticiários sensacionalistas, o apresentador/âncora debochar ou xingar o bandido. É mais comum ainda condenar acusados, antes mesmo da justiça. E tudo isso sem qualquer compromisso com a qualidade, com a verdade e com o telespectador.

O compromisso é com os números apresentados pelo Ibope. A preocupação maior é com o faturamento, tanto que em alguns desses programas há inserções comerciais entre uma notícia e outra.

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Uma resposta para O mau jornalismo da TV precisa de um basta

  1. Lidia Wenhryniwskyj disse:

    Caro Renan não misture as coisas, apresentador/âncora é uma coisa, o jornalista é outra. Cabe ao jornalista o papel de informar, e cabe a casa decidir o que é audiência…
    Correr atrás do Ibope faz parte do contexto num país que falta conhecimento.

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